Falta de concurso deve deixar sem aula 60 mil alunos da rede paulista

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Por determinação da Procuradoria Geral de Justiça, contratação de novos professores só pode ser feita mediante realização de concurso público
Ao menos 18.870 alunos podem ficar sem aulas neste ano na cidade de São Paulo devido à falta de professores, segundo a Secretaria Estadual de Educação, do governo João Doria (PSDB). Serão 629 turmas em todas as diretorias de ensino da cidade que podem ficar sem professores de 1º a 5º ano do ensino fundamental.
 
Além da capital, outras 37 diretorias de ensino do estado, do total de 91, também poderão ficar sem professores. As mais afetadas podem ser as de Campinas, Mogi Mirim, Americana, São Carlos e Araraquara, e Santo André.
 
Na semana passada, o secretário estadual da Educação, Rossieli Soares, disse que 60 mil alunos de todo o estado poderão ficar sem aula devido à falta de 8.500 professores.
 
Esses profissionais não poderão mais ser recontratados temporariamente porque o Tribunal de Justiça acatou um pedido da Procuradoria Geral de Justiça e considerou que a contratação deve ser feita por concurso público.
 
A presidente da Apeoesp (sindicato dos professores), professora Maria Izabel Noronha, disse que concorda com a contratação por meio de concurso, porém, seria necessário um período de transição até a realização de um novo concurso público, o que demoraria oito meses.
 
Segundo Maria Izabel, esses 8.500 professores foram contratados em 2015 por três anos e dez meses, tendo o contrato encerrado em dezembro de 2018. “Agora, o governo não poderá mais recontratá-los porque a Justiça considerou que este período seria suficiente para a realização de um novo concurso.
 
Maria Izabel defendeu a realização de um acordo entre o estado, o Tribunal de Justiça e o Ministério Público para contratar os professores até a realização de um novo concurso.
 

Desempenho

 
O desempenho dos alunos das escolas estaduais de São Paulo teve uma leve melhora no ano passado em português, mas, em matemática, piorou no fim do ensino fundamental e estagnou no médio.
 
Os dados são do Saresp, avaliação anual da rede, e foram divulgados pelo então governador Márcio França (PSB) menos de duas semanas de ele deixar o cargo. Foi a primeira vez que os números foram tornados públicos no mesmo ano em que a prova é feita.
 
No Brasil, como um todo, é possível comparar o desempenho do estado por meio do Ideb, índice que combina as notas dos alunos em uma prova federal com as taxas de abandono escolar e repetência.
 
Por esse indicador, divulgado em 2017, a rede estadual paulista está em 3º lugar no ensino médio, empatada com a de Ceará e Rondônia e atrás de Goiás, Espírito Santo e Pernambuco.
 
À época da divulgação do Ideb, o então governador Geraldo Alckmin (PSDB) reclamou que as notas dos colégios técnicos não eram consideradas. Mas a justificativa dele para queda da educação de SP não se ampara em dados oficiais.
 
 
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