Central de Concursos
  • Por: Folha Dirigida - Publicado em 11/02/2015 00h00
O Banco Central tem vivido uma delicada situação nos últimos anos. De acordo com a lei, a instituição, responsável pela manutenção da estabilida de econômica do país, deveria contar com um efetivo de 6.470 servidores, entre técnicos, de nível médio, e analistas e procuradores, ambos de nível superior. O que se vê no dia a dia da entidade, porém, é um quadro composto por 4.085 funcionários ativos, sobrecarregados pela falta de concursos públicos regulares para repor a mão de obra que se aposenta, como apontado pelo presidente regional do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central do Brasil (Sinal/RJ), Sérgio Belsito, em entrevista à Folha Dirigida.
 
Na conversa, Sérgio mostrou descontentamento com relação à falta de um concurso já para o início deste ano e cobrou a abertura imediata de seleção para, pelo menos, 2 mil vagas efetivas, além da nomeação de mais aprovados do certame de 2013. “É entristecedor ver os funcionários do Banco Central sobrecarregados, fazendo apenas o mínimo possível. Precisamos preencher aproximadamente 2 mil vagas através de concursos, para desempenhar nossas tarefas com excelência”, disse o sindicalista, que confirmou a presença do sindicato em Brasília, no dia 24 de fevereiro, para cobrar ações da administração federal e do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG).
 
Qual é o papel desempenhado pelo Banco Central (BC) na máquina pública?
Sérgio Belsito - O Banco Central tem o papel fundamental de assegurar o poder de compras da população, cuidar de seu poder aquisitivo, controlar a inflação e fazer com que a moeda seja valorizada. Outra atribuição do BC é fiscalizar e regulamentar o sistema financeiro, intermediando a relação estabelecida entre o tomador dos recursos e o usuário.
 
Como a diminuição do quadro de pessoal do Banco Central tem afetado o dia a dia da instituição nos últimos anos, em âmbito estadual e nacional?
O Banco Central é constituído de uma sede em Brasília e mais nove regionais, consideradas os braços da instituição. De um modo geral, a sede era preservada, pois entendia-se que era o local mais importante, ou melhor, que detinha funções estratégicas, porém o desmonte que temos visto ao longo dos anos afeta todas as unidades. A falta de mão de obra, o risco de recursos humanos como temos chamado, é um problema antigo do banco, que vem se acentuando a cada ano. As nove regionais estão sucateadas, com serviços altamente prejudicados, como atendimento ao público e fiscalização. Tratando especificamente do Rio de Janeiro, a área de remessa de recursos tem sido a mais afetada pela carência de pessoal. A falta de troco, por exemplo, cujo motivo é, em grande parte, a necessidade de mão de obra no BC, é aparente no dia a dia do cidadão. Outras áreas estão sendo terceirizadas, o que tira a expertise do Banco Central e põe em risco informações da instituição, agora administradas por empresas privadas.
 
A realização de concursos públicos periódicos para o Banco Central seria uma das medidas primordiais que o governo federal deveria tomar em prol da manutenção da estabilidade econômica do país?
Assim como outros órgãos, entre os quais, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o BC precisa de concurso público imediato para o preenchimento de vagas. Só assim se iniciará o processo de reversão da grave situação do Banco Central, que afeta o cotidiano da população. No caso do banco, nós sabemos que o governo já deveria ter aberto, neste ano, uma seleção para efetivos, que provavelmente foi adiada para o fim de 2015.
 
O sindicato tem dados sobre o déficit atual de mão de obra efetiva do Banco Central? Quais são os números mais recentes relativos ao Rio de Janeiro?
A situação que vive o Banco Central é difícil, especialmente em sua sede, em Brasília, pois é necessário suprir todos os departamentos alocados na região. Os funcionários se aposentam ou, com frequência, são transferidos para outras unidades da instituição e é preciso repor essa mão de obra. Em nível nacional, foram aproximadamente 1.500 aposentadorias nos últimos três anos, e em torno de 500 outros profissionais podem sair a qualquer momento, números que considero elevados. O envelhecimento do quadro de pessoal do BC e o longo período que passamos sem concursos ocasionaram essa situação crítica, a qual já vinha sendo apontada pelo sindicato e pela própria direção do banco ao governo federal. Para ilustrar o caso do Rio de Janeiro, dos 280 funcionários que deveriam estar atuando na área de remessa de recursos, só temos 120.
 
Os profissionais da instituição estão sobrecarregados?
Atualmente, só se consegue realizar o mínimo possível, pois não há mão de obra suficiente para todos os projetos. Os profissionais que entraram há pouco tempo já querem sair, por causa do excesso de trabalho. As principais atividades estratégicas do banco estão sendo prejudicadas e a diretoria do BC reconhece a situação. A preocupação maior dos funcionários, porém, é a perda de cultura e experiência adquiridas. Em Brasília, já foram registradas aposentadorias sem que houvesse transmissão de conhecimento para novos colegas, o que é grave, considerando, por exemplo, que um analista, quando entra no Banco Central, passa cerca de cinco anos se preparando para o trabalho, devido à natureza atípica da atividade profissional na instituição. 
 
Quantas vagas efetivas deveriam ser preenchidas em seleções? Em quais funções?
A demanda por novos profissionais é imensa no Banco Central, que já teve quase 8.500 funcionários e, por lei, deveria ter mais de 6 mil. O quadro, hoje, está em torno de 4 mil servidores, então precisaríamos de aproximadamente 2 mil técnicos, de nível médio, e analistas, de nível superior. Em 2012, no governo anterior, foi negociada a implementação de um plano plurianual de colocação de mão de obra no Banco Central, com a ideia de repor, no mínimo, 800 colegas por ano, o que acabou não acontecendo por questões orçamentárias.
 
No último concurso, realizado em 2013, não houve oportunidades para o Rio de Janeiro. O estado deveria ser contemplado com quantas vagas na próxima seleção?
Não foram abertas vagas para o Rio de Janeiro no último concurso porque o Banco Central trouxe pessoas de Brasília para cá através de um processo de mobilidade. Há demanda de pessoal em todas as unidades regionais do BC e por aqui seriam necessários, no mínimo, mais 200 servidores. É triste ver o estado em que se encontra o prédio da instituição no Rio.
 
Considerando o longo espaço de tempo entre a liberação de um novo concurso e a convocação de aprovados, período este em que o Banco Central continuaria a ser afetado por aposentadorias, o sindicato teme pela saúde da instituição? O governo deveria agir o quanto antes, para evitar maiores danos?
Estamos preocupados. Temos pressionado o governo federal e participado de todos os atos, mas a administração pública está paralisada desde outubro do ano passado, quando se iniciou a troca de gestão. A instituição, neste momento, está definindo seu segundo escalão para iniciar uma conversa com o governo, e o Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (Sinal) continuará a brigar para que seja liberado um concurso o mais rápido possível.
 
O governo federal não tem mostrado pressa em autorizar a nomeação de aprovados no último concurso, de 2013, para técnico e analista do Banco Central, apesar das reivindicações constantes dos candidatos do certame e do sindicato. Na sua visão, qual o motivo da demora?
No dia 24 de fevereiro, o sindicato estará em Brasília, na porta do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG), junto dos candidatos aprovados no concurso e ainda não empossados, para reivindicar a nomeação de mais colegas e a extensão do número de vagas. Infelizmente, até o momento, não houve nenhuma negociação sobre os assuntos. A garantia de que o governo chamaria, além das oportunidades previstas em edital, mais 50% de vagas, medida permitida por lei, pode não se concretizar, o que torna ainda mais importante a abertura de um novo concurso. O governo deveria preocupar-se com o Banco Central, mas parece não estar sensibilizado. Este será um ano de muito combate, mas a administração federal terá que ceder, pois a nomeação de mais servidores e a realização de concurso público para o Banco Central são necessárias.
 
 
Ganhos são atraentes: chegam a R$17.703,33
 
Além da estabilidade empregatícia, garantida aos funcionários do Banco Central pelo regime estatutário de contratação, outro atrativo das carreiras da instituição é a boa remuneração inicial oferecida aos profissionais - R$6.065,36 para técnico, R$15.376,70 para analista e R$17.703,33 para procurador. O último concurso para o BC, realizado em 2013, ofereceu, ao todo, 515 vagas, nas funções de técnico (100), que exigiu apenas ensino médio completo, analista (400), para graduados em qualquer área, e procurador (15), para advogados com pelo menos dois anos de prática forense.
 
Foram aprovados 1.050 candidatos, dos quais apenas 315 foram nomeados até o momento, número muito inferior à necessidade da instituição, situação que preocupa o Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central do Brasil (Sinal), haja vista a validade do concurso em vigor, a qual expirará em 27 de setembro deste ano. O sindicato estará no próximo dia 24 em Brasília, para reivindicar a abertura de nova seleção para efetivos e, em conjunto com candidatos do certame anterior, requisitar a nomeação de mais aprovados, medida prevista em lei e que contribuiria para amenizar parte dos problemas da instituição.
blog

Outras Notícias